domingo, 12 de fevereiro de 2012

Justiça poética

_ Mããããããããããããe, Odorico tá namorando a Juju!!!!!!!! Buááááá!!!!
_ Calma, minha filha, calma. Você tá magoada, calma. Vem cá, me dá um abraço. Isso, respira. Mais uma vez. Agora vem conversar direito. Você alguma vez falou pra ele que gostava dele?
_ Não, mamãe, mas...
_ Sem mas. Ele alguma vez falou que gostava de você?
_ Não, mamãe, mas...
_ Então, para e pensa um pouquinho. Bem ou mal, você tem a gente, você tem seus outros amigos todos. A Juju sofreu muito quando os pais se separaram, o Odorico também. Eles têm esse vazio em comum, são carentes disso e se completam, minha filha. Justiça poética. Você está sendo egoísta, e impaciente. Calma que sua hora vai chegar.
_ Mas mamãe (ainda soluçando)...
_ Escolhe um mais bonito, minha filha, e vai na fé, você vai ver que vai dar certo. Saia desse mundinho e você vai ver que existe vida inteligente além dos muros do seu colégio também...

Depois de algum tempo de total revolta, inclusive contra minha mãe (que não me compreendia!!), acabei fazendo o que ela tinha aconselhado.
Primeiro escrevi uma poesia, uma melosa declaração de amor, que saiu no jornalzinho da escola. Óbvio que era pra ter sido de autoria anônima, já que tinha destinatário, mas a professora resolveu por meu nome. Foi um inferno. Fiquei semanas sem sair da sala de aula na hora do recreio, com vergonha de encontrar as Cajazeiras. Alguns amigos em comum foram me repreender. A maioria dos outros amigos nem ligou.
Juju obviamente passava o recreio namorando Odorico.
Quando as provas chegaram, os amigos me obrigaram a sair da sala para a arquibancada, era hora de contar a História em histórias. Nem Juju nem Odorico participaram mais disso.
Alguma vez aqui eu falei que Odorico era nerd?
Este foi o ano em que ele foi reprovado na escola.
Eu não suporto burrinhos. Comecei a vê-lo com olhos desapaixonados. Meu músculo estúpido se libertou. Pouco tempo depois, comecei a namorar um menino lindo, que conheci fora do colégio. Para desespero do meu pai, que se achava o próprio Capuleto, pai de Julieta...

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