Todo trapezista que tem medo de morrer tem sua rede de proteção. Colocamos rede de proteção nas janelas para segurança das crianças. Eu aprendi a criar minha própria rede de proteção.
Por mais que a família seja feita para te amparar, pode não estar disponível exatamente no momento em que você precisa, por algum motivo. O caminhão de mudanças pode ter chegado antes do dia...
Eu morava em uma república com mais três meninas que estudaram comigo no colégio. O nome da república? Monarquia. E obviamente nós éramos as princesas, com direito a coroa e cerimônia de sagração de cavaleiro toda vez que uma arrumava namorado.
A Monarquia foi minha primeira rede de proteção.
Foi Cinderela que me encontrou na rodoviária de Juiz de Fora quando fui pro vestibular. Ela estava no churrasco de comemoração da minha reprovação na Unicamp. Ela estava comigo na hora do atropelamento. Foi pra ela que expliquei que a carteirinha do convênio estava na primeira gaveta da cômoda do nosso quarto. Foi ela que ligou pra minha mãe, contando do atropelamento. E embora a vida tenha nos afastado, hoje ela mora em outra cidade e pouco nos falamos, Cinderela foi uma irmã que a vida me deu. Foi a primeira a segurar uma das pontas da rede de proteção. Rapunzel me ensinou a cozinhar. Bela ficou conosco pouco tempo, logo depois veio Ariel.
Depois da faculdade, na residência, a rede mudou, outras pessoas seguraram as quatro pontas.
Já casada, mesmo na minha arrogância de acreditar que eu tinha uma família que iria sempre me amparar, a vida me mandou mais uma irmã (Nandaaaaaa!) e me fez reencontrar outra.
Quando a casa caiu e eu fui ao chão, doeu muito, porque eu mesma tinha me afastado da proteção da rede. E outra rede foi construída. Está sendo construída.
Os melhores amigos são a família que você escolhe ter. São a melhor rede de proteção que existe.
E como são quatro as pontas da rede, são necessários pelo menos quatro para segurá-la.
Meus quatro cavaleiros do Apocalipse!
O que seria de mim sem vocês...
Mas tem dias que ainda me acho meio Branca de Neve, entalada com a maçã envenenada que o dia trouxe, fria, no fundo uma ponta de esperança pelo Principe Encantado, mas tudo o que eu vejo são anões.
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OOOOwwnnnnnn, eu chorei! Mas é isso mesmo, os laços de sangue nem sempre são laços, ás vezes são nós, difíceis de desatar... E a vida, essa brincalhona que joga a gente pra lá e pra cá apronta muito... Só é preciso saber enxergar as oportunidades... Eu só assistí o desenho da garrafinha uma vez, e conto nos dedos de uma mão as vezes que esquecí meu tão bem equipado estojo (ele ainda existe!) no hospital, mas foi assim que tudo começou, na nossa amizade... Um estojo esquecido, uma visita, e as descobertas de muitas coisas em comum, mesma rua, mesmo mês de aniversário, mesmo pé frio, mesma paixão pelas crianças, mesmo mês de casamento, mesma doidice... E posso dizer , que de minha parte, foi amor á primeira vista,kkk
ResponderExcluirMinha irmã querida, eu continuo segurando a minha ponta *seriam só 4 mesmo?*, mesmo que procurando e olhando para cima eu não te encontre como antes. Aqui de longe, guardo-a no coração, lembro-a nas minhas orações. Lendo seu texto, deu saudade da Monarquia, das "isadoras"... Este ano vou a Sampa de novo matar mais um pouco da saudade. Beijo grande! Cinderela!
ResponderExcluirCa pra nos, Cinderela, eu nao gosto de dormir em cima no beliche! Rsrsrsesrs
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