Nesta época da minha vida, ainda morava em Minas, numa cidade planejada, construída ao redor de uma determinada empresa. 100% de saneamento básico (nesta época...), clubes em quase todos os bairros. Os bairros foram planejados conforme a função dentro da empresa: um bairro para os engenheiros assim, outro para os engenheiros assado, um para chefinhos, outro para chefes maiores e um poderoso, uma verdadeira "downtown" americana, para os chefões. E bairros um pouco mais afastados para técnicos, outros funcionários, comerciários,etc.
Pode ser extremamente eficiente do ponto de vista administrativo, arquitetônico, burocrático, sei lá. Pra mim, era um sistema de castas.
Logo que eu nasci, morávamos num bairro, a "Vila". Meus avós moravam no mesmo bairro, era um bairro pequeno, todo mundo se conhecia. Vovó costurava e como eu era miudinha, qualquer retalho virava uma roupa nova pra mim.
Mas meu pai se formou, virou um "engenheiro assado" e mudamos de bairro. Sem dúvida foi um upgrade de casa maravilhoso. Uma casa linda, de dois andares, jardins, quintal enorme, em constante reforma e melhoria. Foi nesta casa que morei até ir pra faculdade, é o meu conceito de lar.
Então, quando meu pai foi promovido a chefinho, não quis abandonar a casa e trocar de bairro novamente. Estávamos bem aonde estávamos. Talvez por isso ele nunca tenha sido promovido a chefão.
Decididamente, ninguém lá de casa dava a mínima pro "sistema de castas", eu não tinha a menor noção de qual era a função dos pais dos meus amigos, conforme o bairro em que eles moravam. Pra mim importava se eram meus amigos ou não, se eram engraçados, confiáveis e divertidos.
E sempre achei que esta também fosse a posição dos meus pais.
Mas existem outras coisas envolvidas quando se vira "chefinho" e, um dia, meu pai teve que mandar alguns funcionários embora. Um deles era meu próprio tio, irmão da mamãe. Um outro era Montecchio.
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É, acho que a porca pôs o rabo no babyliss...
ResponderExcluirTá gostando da novela em capítulos, é? Rsrsrs. Quero ver se vou ter coragem de escrever sobre o que realmente me atormenta agora...
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